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segunda-feira, 1 de maio de 2017

Solu.

[Percebo que a solidão que eu sempre sinto não provêm de ações de pessoas e sim de algo mais profundo e um tanto subjetivo. Estou sozinho estando com minha família.
Estou sozinho amando.
Estou sozinho em meio a conversas.
É uma euforia contemplar os humanos que convivem comigo, mas sempre existe algo oco no meu peito. Algo incompreendido, algo subjetivo demais até para mim,  algo impossível de explicações. Odeio dias como hoje. Dias que não sei me portar em várias questões. Dias sem ânimo. Dias escorregadios. É como se não estivesse preparado para este mundo, como se não precisasse estar.
Não desposo dias assim, mas eles aparecem sem que eu espere. Uma visita que se coloca sentada ao meu lado e não fala, eu não ouço e exala ânsia.
São dias como os de hoje que meu cérebro paralisa, como nas horas da noite. Mas é a paralisia de sentimentos. É como estar à beira da montanha, escalando o nada.]

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Noite e Substância



Como não se isolar se dentro é mais quente? A confusão me dá risos, igualmente como o sol  na manhã de inverno.  Ele aparece como se não estivesse perto. Engana-me em silêncio. Estamos loucos por conta de tantas gotas de sangue. Elas gotejam a noite toda e me fazem sentir melhor, melhor que todos os dias bons. É como subir no alto, nos telhados. Meu Deus é tão sublime, mas todos disseram que meus olhos estariam verdes de rancor. Agora eu vejo com paciência e estingue-se as mentiras que plantei em mim mesmo.

[A] substância teve trabalho e esvaiu-se deslizando durante a caminhada da lua.
Talvez eu não tenha mais que falar e sozinho penso no cavalo negro que andava em meu quintal durante a noite.
Os olhos brilhantes me indicavam mentiras engraçadas
Verdadeiras mentiras.
E que ninguém esqueça, minha cabeça parou e tomou à sombra como champanhe envelhecido.


O andamento do tempo suga meus ouvidos.
E as vozes acomodam-se em meu leito me separando da realidade desalinhada.
Saqueando segredos onde meus pés queriam deitar.
Há uma caixa de visões, seres despedaçados. É.
Estão lá transbordando meus pensamentos confusos.
Dias reclusos e cheios de dor. Talvez não.
E ao tentar matar as visões mato a mim mesmo.

Justamente.


(Os dias estavam cheios de contos mentirosos e eu me compadeci deles e por anos me sentei a mesa, tomei vinho e deles me abasteci com audácia e ansiedade de viver aquilo. Como um brinquedo dado a uma criança carente de sorrisos. Hoje eu convivo com visões embaçadas. Talvez seja minha dor querendo sair do meu peito,ou minha raiva que cultivei desde menina. Ela me procura a noite e sentia temor, mas hoje me acostumei e todos os tormentos são como filmes ou banco de plateias de teatro antigo.Foda-se meus pensamentos, meus demônios ou minhas palavras distorcidas por mim mesmo,talvez eu não me entenda. Talvez eu tenha uma ferida funda plantada por algo maior.Que seja feliz, que eu nunca tenha uma arma para calar os galos gritantes e  adormecer minha consciência fria.) 



quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

É.

É notório o que me prende.
É devastador o que me arrasta para fora. Neste impulso louco e sorridente.
É abusivo de carinho as coletas de suspiros. Silencioso como Sempre.
É impróprio o que carrega nos olhares. E me prende, prende.
É exclusivo demais para ser jogado e há tanta luz e chuva.
E se arrasta, e se levanta, e se inala, e se machuca, e se abusa nesta dança.
É a dança incerta de vapor.
A clareza canta na agonia da esperança e muda-se do É para o E, para  os Ais e para o Ah!

É a dança incerta de vapor, da dor  ....

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Winter eyes.

O amor é um disfarce para o sofrimento humano. Todos pregam uma vaidade inerente para a alma feliz. Não! É como a treva e a luz, sempre ganha o mais forte. Cria-se seu próprio demônio a cada pedaço que tirei para te dar. Verdade! Meu tempo se arriscou em te olhar com carinho todas as noites. O que posso fazer com  rainha dos corações partidos? Sem paredes. Só posso olhar o arco-íris  preto e branco e admirar sua inquietude. Pedimos demais e temos sugestões imperfeitas para o homem que o serve. A verdade não toma mais remédios e virou uma doença maligna em meu coração. Salve-me e tire minha visão cheia de cores manchadas pelas minhas coletas de memórias que me queimaram impetuosamente durante horas. A cama é um leito implacável para quem não tem mais expectativas solidas.  A fresta de luz inventava desculpas para seus gestos contemplados, por agora, ela me arde os olhos. Isto basta para caminhar até a escuridão. Sozinho. Desanimado. Asqueroso. Enfeitado de pensares. Pobre de espírito.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Sinfonia

Em partes só os papéis me entendem,
Só eles estão perto quando eu menos preciso de um humano falando de suas razões.
As flores acabaram bem na época que eu mais precisava de uma cor natural para meus dias frios.
Eu que gosto tanto do frio, estou congelada e pedindo ajuda ao sol, quente, sempre tão livre para nascer todos os dias no horizonte lindo.
Ele é forte e cheio de luz eterna.
A eternidade é algo tão seguro.
As flores morreram lá fora, mas eu tentei cuida-las com líquido de um oceano que banha a costa com firmeza, será que o mundo é assim? Tão difícil de caminhar e cheio de espinhos, ou sou eu que tenho a sensibilidade das narinas de um lobo solitário? Não sei!
As flores morreram em mim várias vezes, eu às pegava, mesmo com todos os espinhos e com as mãos sangrando, cuidava, mesmo sabendo que é na alma que os machucados doem mais.
Tenho visto que ao caminhar pela terra minhas visitas aos seres humanos são devastadoras.
Tentei ser forte... Tentei olhar para frente... Tentei caminhar por corações.
Eu tentei e tentei mais um pouco, andei por lugares cheios de colinas que me deram medo.
Até me acostumar com a penumbra e ser amiga fiel dela.
Há em mim um fio de aço latente entrelaçando meus ossos, acorrentando meu coração.
Talvez a cura essencial.
Suba até o monte e veja o esplendor.
Salte pelas colinas e ao avistar um penhasco pule e voe por ai.
Caia de costas e sinta como se fosse morrer, mas volte para agradecer o belo canto do dia.
Mas não mergulhe nesta água gelada do seu próprio desafio. Há uma cortina afiada que arranca sua pele e te leva a lugares isolados. 
É a noite que minhas pegadas aparecem caminhando junto.
É a tarde que minhas mãos brilham no frescor.
É de manhã que vejo com meus olhos de apreciação.    

Sinfonia

Em partes só os papeis me entendem, só eles estão perto quando eu menos preciso de um humano falando de suas razões.
As flores acabaram bem na época que eu mais precisava de uma cor natural para meus dias frios.
Eu que gosto tanto do frio, estou congelada e pedindo ajuda ao sol, quente, sempre tão livre para nascer todos os dias no horizonte lindo.
Ele é forte e cheio de luz eterna.
A eternidade é algo tão seguro.
As flores morreram lá fora, mas eu tentei cuida-las com líquido de um oceano que banha a costa com firmeza, será que o mundo é assim? Tão difícil de caminhar e cheio de espinhos, ou sou eu que tenho a sensibilidade das narinas de um lobo solitário? Não sei!
As flores morreram em mim várias vezes, eu às pegava, mesmo com todos os espinhos e com as mãos sangrando, cuidava, mesmo sabendo que é na alma que os machucados doem mais.
Tenho visto que ao caminhar pela terra minhas visitas aos seres humanos são devastadoras.
Tentei ser forte... Tentei olhar para frente... Tentei caminhar por corações.
Eu tentei e tentei mais um pouco, andei por lugares cheios de colinas que me deram medo.
Até me acostumar com a penumbra e ser amiga fiel dela.
Há em mim um fio de aço latente entrelaçando meus ossos, acorrentando meu coração.
Talvez a cura essencial.
Suba até o monte e veja o esplendor.
Salte pelas colinas e ao avistar um penhasco pule e voe por ai.
Caia de costas e sinta como se fosse morrer, mas volte para agradecer o belo canto do dia.
Mas não mergulhe nesta água gelada do seu próprio desafio. Há uma cortina afiada que arranca sua pele e te leva a lugares isolados. 
É a noite que minhas pegadas aparecem caminhando junto.
É a tarde que minhas mãos brilham no frescor.
É de manhã que vejo com meus olhos de apreciação.    

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Interno

Ela está em toda a parte.
Eu.
Ela, ama a si mesmo e come sua própria carne com dentes de lobo.
Eu poderia abrir a porta e te odiar para sempre.
E ela invade todas as minhas dores e lágrimas de fogo.
Eu te vejo em cenas cortando toda à alegria, assumindo o controle da minha respiração.
Eu vou ficar bem.
Caminhando em sua direção, mas meus pés estão confinados em minha cama de areia, derretendo meus ossos e expondo meus nervos.
Meu beijo, meus dentes, minhas razões, minha dignidade e sugestões.
Uma Halloween. 
Meu lugar, meus sais, minha lama, minhas indagações e cálculos.
Uma matança perfeita saindo pelos poros. E eu volto para a realidade.
Eu tento me mover através de seus olhos brilhantes que punem a todo o momento.
Meus ouvidos camuflam teus passos em minha direção.
A compilação de pensamentos fúteis que invadem meu espaço e a caça de sorrisos mórbidos.